Cobertura 4º "Olhar de Cinema", dia 3.

Por Alexander Aguiar.

Quando ainda estava na faculdade, tive acesso à filmografia do cineasta Evaldo Mocarzel, que em suas aulas reproduzia diversos discursos a respeito do fazer e do pensar cinema. Um de seus filmes, que homenageia a Mostra de São Paulo, propõe um questionamento a diversos cineastas, que por mais que pareça premissa básica de toda a realização fílmica, por vezes parece ser deixada de lado: “Filosoficamente, o que é o Cinema?”. Poucas vezes na vida tive acesso a uma resposta tão subjetivamente intensa quanto a que o filme que abriu a programação do terceiro dia propôs. “João Bénard da Costa – Outros amarão as coisas que eu amei“, dirigido por Manuel Mozos, é mais do que um ensaio poético sobre as memórias e reflexões do crítico português, é mais do que uma declaração de amor ao cinema, e muito mais do que pensar sobre a função do tempo, da memória e o medo e o prazer causados pelo desconhecido. É, antes de tudo, uma grande homenagem ao próprio ato de olhar, de observar o mundo ao redor e assim ser capaz de transformar a própria vida através da arte. Com releituras de filmes clássicos como “Johnny Guitar”, de Nicholas Ray (filme que integra a programação do festival na janela dedicada à exibição de clássicos), “A Palavra” de Carl Dreyer, entre outros, o filme de Mozos relaciona a vida, o amor e a esperança sob o prisma de João Bénard, que como poucos amou o cinema. Um dos trechos do filme discorre magistralmente sobre a cinefilia, afirmando que não basta somente assistir e gostar, a verdadeira função da cinefilia é tentar prorrogar ao máximo a sensação que um filme é capaz de nos fazer sentir, e isso se dá também através do ato de debater, de discutir o cinema, de escrever a respeito. De algum modo, o próprio ato de escrever sobre esse filme me faz pensar em coisas sobre o cinema associado à vida que dura muito mais do que a curta duração do filme, cerca de 70 minutos. Até então, a mais grata surpresa da programação, na opinião de muitos que aplaudiram e saíram da sessão dispostos a vivenciar o cinema de maneira muito mais intensa do que através do simples ato de assistir. Por outro aspecto, como é possível escrever sobre um filme sem que esse se prenda necessariamente à necessidade de assisti-lo?

"João Bénard da Costa: Outros amarão as coisas que eu amei", o grande destaque do festival até então.
“João Bénard da Costa: Outros amarão as coisas que eu amei”, o grande destaque do festival até então.

Na sequência, se iniciava uma programação com diversos filmes da Mostra Competitiva. “Koza“, filme dirigido por Ivan Ostrochovský, é por si só um retrato velado de seus países de produção: a Eslováquia e a República Tcheca. A Tchecoslováquia, outrora potência no cenário desportivo mundial, após divisão pacífica de seus países, vive à margem. Koza é um boxeador que teve sua grande glória nas Olimpíadas de Atlanta, em 96, e anos depois se depara com uma luta muito mais intimista e intensa: sua mulher está grávida novamente e não está disposta a prosseguir com a gestação. Sem dinheiro, ele tenta voltar a lutar, mas não é nem de longe o atleta do passado (presumindo que para que ele tenha sido capaz de competir em uma Olimpíada, ele provavelmente aguentava lutar por mais de um round sem sofrer sérias consequências). O filme em si não revela nada de novo, seus dispositivos são convencionais e seus personagens arquetípicos: o herói decadente, o mentor crápula que aos poucos “amolece”, o bêbado cômico, e por aí vai. No entanto, há cenas de qualidades notáveis, especialmente quando se refere justamente ao esporte. As cenas de boxe são, sem sombra de dúvidas, o grande atrativo do filme. Filmadas em planos abertos, conseguimos sentir o cansaço do pugilista que apanha não só de seus oponentes, mas de sua própria decadência. E ainda melhor: o principal momento de luta do filme não é visto, apenas ouvido, enquanto a câmera mostra o nervosismo de seu amigo/mentor que sabe que a última luta de Koza não pode acabar em boa coisa. Sua tensão, somada ao som crescendo da reação do público, cria no espectador um terceiro sentido, que nos coloca sob o prisma de justamente quem não está em cena.

Uma das medidas que adotei para esse festival, foi tentar assistir todos os filmes sem saber absolutamente nada sobre eles. Sem sinopses, nem trailers, nem a busca pela associação de trabalhos anteriores dos diretores, e isso às vezes nos reserva gratas surpresas. O filme que assisti na sequência, “I am the People“, é um grande retrato da reação do assim chamado “povo comum” do Egito durante a Primavera Árabe, com a queda de Mubarak. Filmado através da lente de Anna Roussillon, que também é um personagem ativo dentro de sua própria narrativa documental, o longa consegue capturar momentos incríveis e extremamente humanos. Sempre tratada com um distanciamento por conta de sua condição de imigrante – a diretora vive na França -, Anna tem como grande trunfo de sua obra diálogos com pessoas que a rodeiam naquela comunidade rural do Egito. Ao acompanhar de perto uma família, a diretora é capaz de documentar a formação e transformação política de seus entrevistados. Relutantes, reacionários, pró-revolução e posteriormente inconformados com os rumos que seguiram as eleições no país, o que gera uma nova onda de protestos, seus personagens carregam consigo questionamentos e contradições que revelam de forma simples mas direta como a situação econômica da nação afeta até mesmo quem vive afastado dos grandes centros. A escassez e os aumentos constantes no preço do gás são um microcosmo de todas as dificuldades vividas por países em desenvolvimento. O que difere a democracia do outrora chamado “terceiro mundo” da democracia francesa, estruturada desde a Idade Moderna até a Contemporânea? Questões que nos fazem pensar sobre os rumos que as revoluções recentes no “mundo árabe” devem continuar a traçar até que as demandas populares estejam de acordo com seu regimento sócio-político.
Nos últimos anos, diversos filmes sobre protestos pipocaram ao redor do mundo, revelando a crise política e econômica do zeitgeist da globalização, no entanto poucos tem o poder de nos tocar como “I am the People”, e a razão é basicamente simples: ao não tentar abranger o conflito pelo topo, mas sim pelo prisma familiar, a realizadora é capaz de atingir ao espectador como poucos.

Para finalizar o dia, segui para a sessão de “Story of Judas“, que a rigor não propunha nenhuma nova discussão estética ou temática, mas uma versão alternativa à tradicional história bíblica, uma espécie de “Evangelho Segundo Judas”, onde este seria o apóstolo mais devoto da palavra de Jesus de Nazaré. A proposta não é necessariamente nova, mas é sempre intrigante ver adaptações do evangelho sob diferentes prismas culturais, nesse caso todo a partir de um ponto de vista francês, sob a direção de Rabah Ameur-Zaï-Meche. Outras adaptações culturais sobre o tema também são expressivas, como a adaptação do clássico da literatura russa “Mestre e Margarida”, ou mesmo as mais recentes com Mel Gibson e assemelhados. Todavia, as imagens do longa são belíssimas, com planos bem enquadrados e encenados, com destaque para a cena do pesar de Carabás após a crucificação de Cristo, em um cenário árido à Kiarostami, com (pasmem!) uma utilização de muito bom gosto de um zoom óptico, coisa rara de se ver em cinematografias contemporâneas. Judas, que jamais teria sido um traidor, é condenado pela história graças ao escriba, com quem ele cria uma desavença após queimar seus manuscritos contando a história de Jesus de Nazaré. Após a morte de Cristo, a Judas só resta lamentar e aceitar a morte, como um personagem de um filme de Otar Iosseliani onde apenas a morte redime, em uma resignação solitária e definitiva.

Um dia movimentado, mas gratificante. Que os próximos venham com novidades ainda melhores.
Em tempo, gostaria de agradecer a todos os que vieram falar comigo nos dias de festival por conta dos textos da cobertura.
Em breve novas atualizações.

Cobertura 4º “Olhar de Cinema”, dia 2.

Por Alexander Aguiar.

O nome de Jean-Marie Straub é sempre um referencial quando falamos sobre cinema experimental/de vanguarda/chame como quiser. Todavia, seu nome nunca foi reverenciado sozinho, já que sua filmografia mais expressiva sempre foi realizada em uma parceria inseparável com sua esposa Daniele Huillet. Daniele morreu em 2006, ano que coincide com a minha descoberta pelo cinema não-classicista, mas igualmente “clássico” em relação a sua importância.
De lá pra cá, Straub assinou sozinho a realização de diversos filmes em curta-metragem, mas somente no ano passado é que lançou seu primeiro longa sem Huillet. Iniciei o primeiro dia de “maratona de filmes” com o novo longa do francês, “Kommunisten“, que revisita sua obra junto a Danielle, e re-significa questões que discutem a relação do ser humano enquanto sociedade. O filme, que paradoxalmente une enorme verborragia contrastada com silêncios esplendorosos, exige imersão imediata em questões que transitam entre o histórico e o contemporâneo, lançando discussões que associam a descaracterização cultural pós-globalização na Europa com o Holocausto – qual foi mais nocivo à humanidade, qual deles revela maior dificuldade em relação à convivência humana?
Um filme denso, que não necessariamente faz jus aos melhores momentos do uníssono duo “Straub-Huillet”, mas que ao mesmo tempo revela que as inquietações de outrora fazem cada vez mais sentido no mundo contemporâneo. Além de Kommunisten, um curta de Straub também foi apresentado na mesma sessão. Com apenas 3 minutos, “A Guerra da Argélia” questiona a passividade/agressividade de um soldado diante da autoridade e barbárie nos tempos de guerra.
Filmes que dialogam entre si de maneira uniforme, e em seu estilo muito mais severo contrastam com o filme de abertura da noite anterior. A convivência, tão fácil para uns, pode ser tão dura para outros. Em que lado dessa margem vivemos?

Ainda permeado por essas questões, entrei na sessão seguinte para ver o longa filipino “Storm Children, Book 1“, do diretor Lav Diaz. A dilatação do tempo, os enquadramentos fixos em grandes planos gerais e a ausência da palavra revela somente aos poucos a história contada. Crianças que brincam em meio à enchente, sem comunicação verbal, revirando entulho e raramente encontrando “preciosidades” em meio ao lixo: uma bola murcha, uma caixa de isopor, diversões passageiras que logo cessam e voltam a fazer parte do mesmo entulho acumulado na região costeira. Em planos que se repetem, que se completam, em ações repetitivas e monótonas, crianças dividem o espaço com animais, o trânsito e barracos despedaçados, todos permeados por um onipresente sentimento de devastação. Após mais de uma hora de filme, toda essa água proveniente da tempestade dá lugar a algo oposto, um navio encalhado na encosta da praia, sob um sol a pino, onde crianças nadam e se refugiam na sobra da grande embarcação. Dois garotos buscam o nada em meio a uma enorme pilha de lixo, enquanto discretamente ao fundo ouvimos incidentalmente a música de Bob Dylan, que contrapõe as questões vividas pelas crianças: “Quantas estradas um homem deve cruzar antes de ser chamado de ‘homem’, quantos mares uma pomba branca deve cruzar antes de repousar na areia?”, a resposta que segundo Dylan está “soprando com o vento” nunca de fato é revelada no filme. A câmera, até então estritamente observativa, quebra a quarta parede justamente para situar o espectador na história. Em uma conversa com um jovem, o homem por trás da câmera “descobre” junto com o espectador algumas questões que permeiam aquela sociedade: a maior tempestade já vista nos últimos anos dizimou famílias inteiras, arremessou barcos contra as construções e deixou incontáveis crianças órfãs, à mercê da própria sorte, como que abandonadas no universo. O primeiro momento de contraste entre um jovem e um adulto se dá com uma frase sintomática, quando uma mãe questiona o fato da filha estar apresentando dificuldades na escola. Posteriormente, cenas com câmera na mão seguem um garoto pelo vilarejo, quebrando a construção até então rigorosa com os enquadramentos, em movimentos vertiginosos que dão a impressão de que o ambiente ao redor consegue ser extremamente árido (não literalmente) mesmo em meio às constantes enchentes. Ao serem seguidos, os garotos por vezes olham para trás, mirando a câmera, como quem questionam “vocês ainda estão comigo”? No fim das contas, de fato poucos restaram até o fim da sessão. Um contraste em slow-motion revela as grandes incertezas e preocupações momentâneas dos jovens daquela região, que brincam nos navios que há não muito tempo foram responsáveis pela destruição de seus lares e morte de seus familiares. Um filme com questões profundas, mas que em minha opinião poderia ter sido melhor resolvido sem lançar mão de grandes preciosismos, já que planos extremamente impactantes acabam por perder um pouco do sentido quando somados a outros planos não tão expressivos assim, diluindo um pouco do impacto que busca alcançar.

Fotograma de
Fotograma de “Stinking Heaven”, do cineasta norte-americano “Nathan Silver”.

Com a cabeça permeada por essas questões extremamente densas dos filmes anteriores, parti para uma sessão de uma nova janela de exibição, a Mostra Foco, que “aponta para o futuro” exibindo obras de um cineasta promissor, esse ano representado pelo norte-americano Nathan Silver.
Stinking Heaven” foi para mim a grande surpresa do dia – e até então do festival. O filme relata a “queda” de uma comunidade que divide uma casa no interior de Nova Jersey, servindo de abrigo para pessoas que buscam uma nova família e apoio para se manterem sóbrias. A estética de vídeo, bastante peculiar e representativa nos anos 90, bem como a excentricidade de seus personagens que estão sempre cruzando o limiar da tênue linha entre a comédia e a tragédia acabam por revelar um clima de desolação, de um fim certeiro, que não necessariamente irá se concretizar, mas que faz com que o filme siga fluente e cativante. Suas limitações orçamentárias são aproveitadas enquanto linguagem, os cenários são reduzidos, os diálogos e performances em improviso remetem ao “American free cinema”. O debate posterior à sessão seguiu a mesma linha do filme exibido, com Nathan provando estar sempre nesse limiar entre a seriedade e a auto-ironia, o que certamente fez com que eu me sentisse identificado o bastante para tentar adequar a minha programação para os próximos dias na tentativa de conhecer novos filmes do cineasta.

Para finalizar o dia (ufa!), segui para a exibição do último filme de ontem, “Balikbayan #1: Memories of Overdevelopment Redux III“. Com o título que faz referência ao clássico do Cinema Latino (pra não dizer mundial) de Tomás Gutierrez Alea, eu não poderia deixar de manter minhas expectativas em alta.
Seu diretor, Kidlat Tahimik, lenda viva do cinema filipino, é por si só um showman à parte. Presente no saguão principal do Espaço Itaú de Cinema ao longo de todo o dia, o cineasta exibia sua “instalação” que mostra o confronto entre duas Deusas do Ar, uma representando o Cinema Hollywoodiano e a outra representando o Cinema Independente Filipino e “Terceiromundista” (livre tradução do termo utilizado pelo próprio artista em questão).
A expressão “Balikbayan” se refere ao “imigrante que retornou”, e o filme iniciado em 1979 (!) narra a épica saga do primeiro “bom filho que à casa torna”, mesclando a saga do navegador Fernão de Magalhães, descobridor das Filipinas e a de seu escravo, Enrique de Malacca (interpretado pelo próprio diretor) ao longo da primeira volta ao mundo, provando então que a terra era de fato redonda. Misturando história com fantasia, o filme documenta o próprio avanço da tecnologia de realização cinematográfica, afinal, um longa que demorou quase quatro décadas para ser concluído acabou por registrar mesmo que incidentalmente o declínio da bitola e a ascenção do digital. Obcecado pela arte, pela viagem, pela descoberta, Tahimik mistura sua própria vida à vida do personagem histórico, e é uma ode ao próprio cinema filipino e à vida associada ao amor pela arte. Após a sessão, Tahimik “incorporado” por seu personagem fez uma performance inesquecível aos poucos que resistiram até a meia-noite, enaltecendo a realização cinematográfica, a história e a paixão pela descoberta do mundo graças à arte.
Aos interessados, amanhã o cineasta ministra uma MasterClass especial, onde falará sobre sua trajetória pelo cinema mundial.

A programação continua, e amanhã volto para relatar os primeiros filmes da Mostra Competitiva. Até lá.

Cobertura 4º "Olhar de Cinema", dia 1.

Por Alexander Aguiar.

Iniciou na noite passada a quarta edição do “Olhar de Cinema”, Festival Internacional de Curitiba, que traz à capital paranaense mais de 90 filmes de diversos países.  Assim sendo, o festival se consolida de vez como uma das principais atrações culturais da região, e mais do que a busca por uma própria identidade, agora se projeta para o futuro, remando contra a corrente e buscando a expansão mesmo em tempos de crise (entre outros, o Festival perdeu um dos seus principais patrocinadores na presente edição).

A grande sacada do festival, em minha opinião, é justamente essa ousadia por parte da direção executiva do festival – núcleo duro que compõe a Grafo Audiovisual. Acompanho o “Olhar de Cinema” desde sua primeira edição, e confesso que ao ver o anúncio da primeira programação, torci o nariz por conta da pretensão de exibir filmes do mundo todo, uma proposta muito ousada pra um festival que sequer havia mostrado a que veio. Não demorou muito pra perceber que minha visão não só estava equivocada, como essa era justamente a grande sacada. Janelas de exibição como a “Novos Olhares”, que apresenta filmes de diretores em estreia me causaram desde àquela altura uma surpresa muito positiva. Isso sem contar as retrospectivas, por onde passaram mestres como Cassavetes, Kubrick, Carlos Reichenbach e na atual edição exibe filmes do cineasta francês Jacques Tati, reconhecido majoritariamente por seu rigor artístico e estético em filmes como “Meu Tio” e “Playtime”.

Pois então, 10 de Junho de 2015, o grande dia. Exibido em três salas simultâneas, “Rabo de Peixe”, do duo lusitano Joaquim Pinto e Nuno Leonel foi o grande abre-alas da edição. Joaquim e Nuno já haviam exibido na última edição do Festival o longa “E agora? Lembra-me”, premiado como melhor filme da mostra competitiva de 2014. O novo filme, que foi registrado entre os anos de 1999 e 2001 e finalizado somente esse ano aposta no mesmo dispositivo. “Rabo de Peixe” une imagens documentais e é costurado por uma narração em voz over que reflete e dá sentidos distintos ao que é apresentado na tela. O filme conta a história de um grupo de pescadores do vilarejo homônimo, localizado no arquipélago dos Açores. A dupla de diretores, que a princípio se instala na ilha para visitar um amigo pescador, narra nas quase duas horas de filme não só a história daquele vilarejo em si, mas documenta também o processo de integração deles próprios diante daquela tripulação, que dia após dia se une em prol do trabalho para criar algo para além da relação serviçal, mas uma aproximação direta entre a própria essência do ser humano em contato com a natureza, a liberdade, o respeito pelo próximo e pelo espaço ao redor. Sob esse panorama, o longa de certa forma contrasta com outro filme apresentado anos antes no festival, que mesmo não tendo sido contemplado com o prêmio máximo do júri, certamente foi o que mais causou impacto nos espectadores naquela ocasião: “Leviatã”, filme americano também dirigido por uma dupla – Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel, que documenta a relação extremamente violenta imageticamente entre pescadores e um navio-pesqueiro de grande porte.

Cena de
Cena de “Rabo de Peixe”, co-dirigido por Joaquim Pinto e Nuno Leonel

“Rabo de Peixe” é, por sua vez, muito singelo, intimista, e seu discurso imagético se dá muitas vezes por conta da própria relação entre os documentaristas e documentados. É particularmente bastante difícil fazer um filme de homens falando sobre homens sem que ele pareça extremamente patriarcal, mas essa sociedade em geral tem algo por si só que se opõe a essa máxima quase básica: o anseio e respeito pela liberdade. Sua organização é extremamente anárquica, social e cooperativa, e nesse sentido não acaba por revelar uma relação de poder. O que poderia se revelar patriarcal se torna em medida muito mais diluída, fraternal – ou mesmo paternalista.

O dispositivo inicial do filme por vezes chega a incomodar um pouco, em especial os que já viram o supracitado longa anterior de Joaquim, onde Nuno é um dos personagens mais presentes. No entanto, há de se valorizar duas questões que são lançadas diante das reflexões do narrador onisciente diante das imagens de um passado não tão distante: o que havia em comum entre os realizadores e aquela comunidade em si (aonde nem mesmo o idioma português era “retribuído” por locais que se expressavam mais regularmente no dialeto açoriano), e também a consciência do caráter transitório: “estamos aqui, faremos esse filme, logo mais não estaremos aqui… quanto mais haverá uma comunidade como essa nos Açores?”. Questão que jamais é respondida de forma contundente, mas que revela uma preocupação com os grandes mercados de peixe que aos poucos dizimam o ecossistema oceânico, algo completamente intangível à realidade de coexistência entre o mar e essa pequena tripulação que, ao evoluir em condições, obtém um barco de apenas 12 metros de diâmetro. O barco anterior, ainda menor, representava até então a união entre a família dos personagens principais retratados no filme, e a aquisição do novo barco traz diversas consequências a seus capitães: a necessidade de uma nova licença fará com que eles tenham de se aprimorar não só como pescadores, mas fará com que retomem os estudos há muito tempo deixados de lado.

Por fim, o filme é um apanhado de questões retóricas, de reflexões sem conclusões práticas (isso é um elogio, antes que me interpretem mal), e que nos faz pensar sobre o futuro tendo o passado como comparativo. O filme em si é sempre consciente de que essa é uma realidade transitória, de uma sociedade que há muito se organiza de tal forma, mas que está fadada ao ostracismo completo, diante de um turbilhão de novas formas de exploração do trabalho que praticamente atropelam todos à sua volta. Os reflexos dessa globalização estão presentes de forma extremamente singelas, ao pensar no mercado que consome a pescada do grupo, bem como a introdução do Euro no lugar do antigo Escudo Português.

De qualquer forma, acredito que seja um filme que traz consigo todas as qualidades e leveza para iniciar um festival internacional, e que propõe questões a serem refletidas, ao contrário dos cada vez mais comuns “filmes tese”. Que os próximos dias revelem boas novidades.

A programação completa está disponível no site oficial do evento.

Edward Snowden: carta aberta | open letter | carta abierta | Brasil | Brazil

Reproduzo uma carta publicado no dia 16/12/2013, onde o ex-NSA Edwardo Snowden faz um chamado ao povo brasileiro, antecipando em partes o atual contexto político de nosso país. Não se trata de uma teoria conspiratória, mas de uma constatação tecnopolítica.

edwardsnownden

Carta Aberta ao Povo do Brasil

Tradução de Clara Allain

Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista.

Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.

Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.

Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.

Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.

A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.

Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.

Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso acontece e do que você fez naquele site.

Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.

Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.

Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.

Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.

Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.

Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!

Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.

Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.

A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.

Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.

A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.

Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.

Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordam que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.

Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”

Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.

Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.

Carta Abierta al Pueblo de Brasil

Traducido por Natalia Fabeni

Seis meses atrás, emergí de las sombras de la Agencia Nacional de Seguridad (NSA) de los Estados Unidos para pararme frente a la cámara de un periodista.

Compartí con el mundo pruebas de que algunos gobiernos están montando un sistema de vigilancia mundial para rastrear secretamente cómo vivimos, con quién conversamos y qué decimos.

Me paré delante de aquella cámara con los ojos abiertos, consciente de que la decisión me costaría mi familia y mi hogar, y que además colocaría en riesgo mi vida. Lo que me motivaba era la idea de que los ciudadanos del mundo merecen entender el sistema dentro del cual viven.

Mi miedo más grande era que nadie escuchara mi aviso. Nunca antes estuve tan feliz de haber estado tan equivocado. La reacción en ciertos países viene siendo especialmente inspiradora para mi, y Brasil es uno de ellos, sin dudas.

En la NSA fui testigo, con creciente preocupación, de la vigilancia de poblaciones enteras sin que hubiera cualquier sospecha de actos criminales. Esa vigilancia amenaza volverse el mayor desafío a los derechos humanos de nuestros tiempos.

La NSA y otras agencias de espionaje nos dicen que, por el bien de nuestra propia “seguridad”, en nombre de la “seguridad” de Dilma, en nombre de la “seguridad” de Petrobras revocaron nuestro derecho a la privacidad e invadieron nuestras vidas. Y lo hicieron sin pedir permiso a la población de ningún país.

Hoy, cuando una persona carga un teléfono celular en São Paulo, la NSA puede rastrear dónde uno está, y lo hace: hace eso 5000 millones de veces por día con personas del mundo entero.

Cuando una persona en Florianópolis visita un sitio en Internet, la NSA mantiene un registro de cuándo eso sucedió y de lo que uno hizo. Si una madre en Porto Alegre llama por teléfono a su hijo para desearle suerte en un examen, la NSA puede guardar el registro de la llamada por cinco años o más.

La agencia llega a guardar registros de quien tiene una relación extramatrimonial o visita sitios de pornografía, en caso de que precisen ensuciar la reputación de esas personas.

Senadores de Estados Unidos nos dicen que Brasil no debería preocuparse, porque eso no es “vigilancia” sino “recolección de datos”. Dicen que hacen eso para mantener a las personas seguras Están equivocados.

Existe una gran diferencia entre programas legales, espionaje legítima, actuación policial legítima, en donde individuos son vigilados porque se tiene una sospecha razonable sobre ellos, y esos programas de vigilancia en masa para la formación de una red de informaciones, que colocan poblaciones enteras bajo una vigilancia omnipresente y guardan copias de todo para siempre.

Esos programas nunca fueron motivados por la lucha contra el terrorismo: son motivados por espionaje económico, control social y manipulación diplomática. Por la búsqueda de poder.

Muchos senadores brasileños están de acuerdo y pidieron mi ayuda con sus investigaciones sobre la sospecha de crímenes cometidos contra ciudadanos brasileños.

Expresé mi disposición a ayudarlos cuando fuera apropiado y legal, pero infelizmente el gobierno de Estados Unidos viene trabajando arduamente para limitar mi capacidad de hacerlo, llegando al punto de obligar a que el avión presidencial de Evo Morales aterrizara para impedirme de viajar a América latina.

Hasta que un país me conceda asilo político permanente, el gobierno de Estados Unidos va a continuar interfiriendo con mi capacidad de hablar.

Seis meses atrás, revelé que la NSA quería escuchar al mundo entero. Ahora el mundo entero está también escuchando y hablando. Y a la NSA no le gusta lo que está oyendo.

La cultura de la vigilancia mundial indiscriminada, que fue expuesta a debates públicos e investigaciones reales en todos los continentes, está colapsando.

Solo tres semanas atrás, Brasil lideró un Comité de Derechos Humanos de las Naciones Unidas para reconocer, por primera vez en la historia, que la privacidad no termina donde la red digital comienza y que la vigilancia en masa de inocentes es una violación de los derechos humanos.

La marea cambió y finalmente podemos visualizar un futuro en donde podamos disfrutar de la seguridad sin sacrificar nuestra privacidad.

Nuestros derechos no pueden ser limitados por una organización secreta, y autoridades americanas nunca deberían decidir sobre las libertades de los ciudadanos brasileños.

Incluso los defensores de la vigilancia de masas, aquellos que tal vez no estén convencidos de que las tecnologías de vigilancia ultrapasaron peligrosamente los controles democráticos, hoy están de acuerdo en que, en democracias, la vigilancia del público tiene que ser debatida por el público.

Mi acto de consciencia comenzó con una declaración: “No quiero vivir en un mundo en que todo lo que digo, todo lo que hago, todos con los quien hablo, cada expresión de creatividad, de amor o de amistad sea registrada. No es algo que estoy dispuesto a apoyar, no es algo que estoy dispuesto a construir y no es algo bajo lo cual estoy
dispuesto a vivir”.

Días más tarde, fui informado de que mi gobierno me había convertido en un apátrida y que quería encarcelarme. El precio de mi discurso fue mi pasaporte, pero estoy dispuesto a pagarlo nuevamente: no seré yo el que ignore la criminalidad en nombre de la comodidad política. Prefiero no tener nacionalidad a perder mi voz.

Si Brasil escucha solo una cosa de mí, que sea la siguiente: cuando todos nos unimos contra las injusticias y en defensa de la privacidad y de los derechos humanos básicos, podremos defendernos hasta de los más poderosos sistemas.

An Open Letter to the People of Brazil

Edward Snowden

Six months ago, I stepped out from the shadows of the United States Government’s National Security Agency to stand in front of a journalist’s camera.

Espionage Whistleblower Edward Snowden to Seek Asylum in Brazil I shared with the world evidence proving some governments are building a world-wide surveillance system to secretly track how we live, who we talk to, and what we say.

I went in front of that camera with open eyes, knowing that the decision would cost me family and my home, and would risk my life. I was motivated by a belief that the citizens of the world deserve to understand the system in which they live.

My greatest fear was that no one would listen to my warning. Never have I been so glad to have been so wrong. The reaction in certain countries has been particularly inspiring to me, and Brazil is certainly one of those.

At the NSA, I witnessed with growing alarm the surveillance of whole populations without any suspicion of wrongdoing, and it threatens to become the greatest human rights challenge of our time.

The NSA and other spying agencies tell us that for our own “safety” –for Dilma’s “safety,” for Petrobras’ “safety”– they have revoked our right to privacy and broken into our lives.

And they did it without asking the public in any country, even their own.

Today, if you carry a cell phone in Sao Paolo, the NSA can and does keep track of your location: they do this 5 billion times a day to people around the world.

When someone in Florianopolis visits a website, the NSA keeps a record of when it happened and what you did there. If a mother in Porto Alegre calls her son to wish him luck on his university exam, NSA can keep that call log for five years or more.

They even keep track of who is having an affair or looking at pornography, in case they need to damage their target’s reputation.

American Senators tell us that Brazil should not worry, because this is not “surveillance,” it’s “data collection.” They say it is done to keep you safe. They’re wrong.

There is a huge difference between legal programs, legitimate spying, legitimate law enforcement –where individuals are targeted based on a reasonable, individualized suspicion – and these programs of dragnet mass surveillance that put entire populations under an all-seeing eye and save copies forever.

These programs were never about terrorism: they’re about economic spying, social control, and diplomatic manipulation. They’re about power.

Many Brazilian senators agree, and have asked for my assistance with their investigations of suspected crimes against Brazilian citizens.

I have expressed my willingness to assist wherever appropriate and lawful, but unfortunately the United States government has worked very hard to limit my ability to do so –going so far as to force down the Presidential Plane of Evo Morales to prevent me from traveling to Latin America!

Until a country grants permanent political asylum, the US government will continue to interfere with my ability to speak.
Six months ago, I revealed that the NSA wanted to listen to the whole world. Now, the whole world is listening back, and speaking out, too. And the NSA doesn’t like what it’s hearing.

The culture of indiscriminate worldwide surveillance, exposed to public debates and real investigations on every continent, is collapsing.

Only three weeks ago, Brazil led the United Nations Human Rights Committee to recognize for the first time in history that privacy does not stop where the digital network starts, and that the mass surveillance of innocents is a violation of human rights.

The tide has turned, and we can finally see a future where we can enjoy security without sacrificing our privacy. Our rights cannot be limited by a secret organization, and American officials should never decide the freedoms of Brazilian citizens.

Even the defenders of mass surveillance, those who may not be persuaded that our surveillance technologies have dangerously outpaced democratic controls, now agree that in democracies, surveillance of the public must be debated by the public.

My act of conscience began with a statement: “I don’t want to live in a world where everything that I say, everything I do, everyone I talk to, every expression of creativity or love or friendship is recorded.

That’s not something I’m willing to support, it’s not something I’m willing to build, and it’s not something I’m willing to live under.”

Days later, I was told my government had made me stateless and wanted to imprison me. The price for my speech was my passport, but I would pay it again: I will not be the one to ignore criminality for the sake of political comfort. I would rather be without a state than without a voice.

If Brazil hears only one thing from me, let it be this: when all of us band together against injustices and in defense of privacy and basic human rights, we can defend ourselves from even the most powerful systems.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/1386291-leia-integra-da-carta-de-snowden-ao-brasil.shtml

ABD/RJ: Instrução Normativa Classificação de Nível – ANCINE

Ao analisar a IN que “Estabelece critérios para a classificação de nível de empresa produtora brasileira independente, para fins de captação de recursos por meio de fomento indireto, e dá outras providências.”, em consulta pública até 08/02, encontramos alguns pontos a serem ajustados e algumas dúvidas que merecem esclarecimento, antes da IN ser colocada em vigor.

A intenção da ABD RJ Audiovisual Independente é colaborar para que entre em vigor a melhor IN possível, respeitando-se a importância de todos os atores e formatos.

Continua…