Carta Aberta dos Egressos e Egressas Sobre a Situação do Curso de Cinema da UNESPAR

Ao Governo do Estado do Paraná
Vossa Excelência, Senhora Governadora Cida Borghetti
À Reitoria da UNESPAR
Ao Magnífico Reitor Antonio Carlos Aleixo
À Direção da Faculdade de Artes do Paraná
V.S.ª Professora Pierângela Nota Simões

Nós, egressos e egressas do Curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual, viemos por meio desta carta prestar solidariedade ao corpo estudantil e ao CAZÉ – Centro Acadêmico Zé do Caixão, pela coragem em denunciar o estado de descaso em que se encontra o Curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual da UNESPAR – Campus Curitiba II.

Lamentamos muito a situação de deterioração da sede e dos estúdios, decorrentes de problemas estruturais que o ensino superior paranaense passa, além dos problemas conjunturais que acompanham o curso desde o seu início.

Destacamos a importância do curso enquanto centro formador de profissionais e pesquisadores de cinema para o mercado brasileiro, em especial ao mercado paranaense. Os trabalhos e pesquisas realizados por egressos e egressas colocaram o Paraná no mapa das produções nacionais e movimentaram o mercado audiovisual no nosso Estado, com produções de maior qualidade, e que exigem elevado grau de conhecimento técnico e experiência na área.

Ressaltamos, que desde a sua origem o curso foi alvo de polêmicas, antagonismos internos e corporativismos por parte do Colegiado do Curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual e da Direção da FAP que, não só prejudicaram o funcionamento do mesmo, como a vida acadêmica de quem nele estudava. Com a integração do orçamento da CINETVPR (Decreto Estadual nº. 4.968/2005) à FAP – Faculdade de Artes do Paraná e depois à UNESPAR – Universidade Estadual do Paraná, o controle administrativo e financeiro da sua sede e de sua infraestrutura ficou extremamente fragilizado, sendo que as pró-reitorias competentes nunca demonstraram qualquer atenção às necessidades específicas do curso de cinema – sequer realizaram visitas ao local.

As imagens da infraestrutura do galpão e do estúdio alagados, conforme verifica-se no vídeo “UNESPAR CINEMA E AUDIOVISUAL: DESCASO E DESMONTE” – acesso em https://www.youtube.com/watch?v=16KrP23gQR0, demonstram que o descaso vem de anos e anos, até culminar nesta derradeira crise. A deterioração da sede do curso de cinema é um risco para quem trabalha e estuda nesta localidade – além de um grande descaso com o erário público e a sociedade paranaense.

Nos causa muito estranhamento as falas contidas no vídeo, feitas por professores e administradores da UNESPAR, que utilizam de termos inapropriados para exotizar a sede do curso, frases soltas nomeando como ‘magnífica’ a estrutura de cinema, que não existem as funções para o quadro técnico necessário para realizar um concurso no Estado, e outras improbidades que apequenam o problema real com predicados superficiais a respeito da manutenção do próprio localizado em Pinhais, no Parque Newton Freire Maia.

Enfim, falam apenas do prédio e não da precariedade acadêmica e administrativa do Campus Curitiba II, que não aflige apenas o curso de cinema, mas também as demais graduações da Faculdade de Artes do Paraná. Omitem que o bacharelado de cinema e audiovisual é o curso mais disputado no vestibular da UNESPAR, e o que mais consegue dar projeção a esta universidade. Omitem também que as direções da FAP sempre se comportaram de forma omissa ou hostil a esse curso e a sua comunidade acadêmica. O que não é de se estranhar, visto que o curso, para ter qualidade, exige trabalho e dedicação, algo diametralmente oposto ao descaso que testemunhamos.

Cobramos das autoridades responsáveis – Reitoria da UNESPAR, Direção da FAP e Colegiado de Cinema – um posicionamento sobre os problemas de infraestrutura da sede do curso de cinema, além dos demais problemas de ordem acadêmica e administrativa que sempre afligiram os estudantes do curso.

Acreditamos que a Governadora Cida Borghetti tratará do problema com a devida atenção, e deixamos clara a nossa intenção de diálogo e colaboração para pôr fim à crise em que o Curso de Cinema e Audiovisual da UNESPAR se encontra.

O Audiovisual Paranaense precisa que o nosso curso esteja em bom funcionamento!

Curitiba, 10 de maio de 2018.

Obs 01.: os egressos interessados em assinar a carta devem deixar o nome completo e ano de colação de grau nos comentários.
Obs 02.: apoiadores interessados em assinar a carta devem deixar o nome completo e o tipo de relação que tem ou tiveram com o curso nos comentários.

 

Egressos e Egressas

  1. Agnes Cristine Souza Vilseki, formada em 2014
  2. Amanda Moleta, formada em 2014
  3. Antonio Roberto Gonçalves Junior, formado em 2012
  4. Bianca de Moura Pasetto, formada em 2014
  5. Caio de Campos Baú, formado em 2017
  6. Celeste Sanson Moura, formada em 2013
  7. Diego Otniel Florentino, formado em 2012
  8. Frederico Moschen Neto, formado em 2012
  9. Gustavo Barbosa Aires Pinheiro, formado em 2018
  10. Heloisa Aparecida Zaninelli Reitenbach, formada em 2016
  11. Jaqueline M. Souza, formada em 2010
  12. Juliana Maria Fiori, formada em 2014
  13. Leandro Telles da Silva, formado em 2016
  14. Lucas Murari, formado em 2013
  15. Marcos Flávio Hinke, formado em 2010
  16. Marisa Merlo de Paula, formada em 2013
  17. Patricia Emiko da Cruz Leite, formada em 2012
  18. Renata de Oliveira Corrêa, formada em 2012
  19. Samuel Storti Guerra Jacintho, formado em 2012
  20. Sonia Procópio Cardoso, formada em 2012
  21. Vinicius Gomes de Carvalho, formado em 2018
  22. Wesley Conrado, formado em 2016
  23. Weverton Alexander de Aguiar, formado em 2014

Apoiadores e Apoiadoras

  1. Eduardo Alexandre Vieira, estudante do curso
  2. Felipe Drehmer, ex-estudante do curso
  3. Sérgio Santos Barroso, estudante do curso

NOTA DE REALIZADORXS E PRODUTORXS INDEPENDENTES SOBRE AS NOVAS REGRAS DO FSA

Para: Ao Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, ANCINE e Ministério da Cultura

Recebemos com preocupação o CONCURSO PRODUÇÃO CINEMA – 2018, as Resoluções publicadas no DOU de 19 de Março de 2018 e a “Carta Aberta aos Agentes do Mercado Audiovisual – ANCINE esclarece questionamentos sobre novas linhas do FSA”. Mudanças tão profundas como as apresentadas justificariam ampla discussão pública com os mais diferentes agentes de mercado que compõem o plural audiovisual brasileiro, não apenas um debate interno do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, órgão colegiado com 3 cadeiras titulares de representantes da sociedade civil, minoritária, que efetivamente não representam a diversidade do setor.

Constata-se que de uma maneira geral as mudanças geram maior concentração dos recursos, ao custo de tornar bastante difícil, para não dizer praticamente impossível, o surgimento de novos agentes econômicos e, por extensão, novos atores criativos.

Elencamos abaixo os pontos que em nosso entendimento necessitam de urgente explicitação pública e/ou mesmo revisão:

– A avaliação de mérito dos projetos de perfil autoral e propósitos artísticos (linha B) tinha peso de 65% no Prodecine 05, chamada pública equivalente à nova linha de financiamento, e passou a ter peso de 40% (CONCURSO PRODUÇÃO CINEMA);

– O peso do currículo de direção e da empresa produtora, somados, subiu de 35% para 55% (CONCURSO PRODUÇÃO CINEMA);
– Retira a avaliação de mérito do projeto mantendo apenas a avaliação curricular da empresa produtora, da empresa distribuidora e dxs diretorxs (RESOLUÇÃO 143);
– A avaliação da performance comercial só leva em conta o número absoluto de ingressos vendidos e não a relação de retorno sobre investimento da obra (AMBOS);
– Utiliza como critério de avaliação curricular a classificação de nível da empresa produtora segundo a IN. 119. (AMBOS).Se a IN 119 passa a ser critério de avaliação da capacidade gerencial, ela precisaria levar em conta o histórico real de produções de uma produtora (curtas, médias, coproduções minoritárias entre empresas brasileiras). E o desempenho comercial, como ponto chave da avaliação curricular, deve ser avaliado em termos proporcionais e não baseado em números absolutos, porque a medição da performance depende da equação custo de produção x custo do lançamento x retorno obtido, em todas as janelas de comercialização.

Essa inversão de valores nos critérios representa mais barreiras aos novos entrantes, fator de dinamização do mercado, além de uma impeditivo ao desenvolvimento de produtoras de nível 1 e 2, que representam cerca de 81% do setor. É uma medida que vai na contramão do próprio Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual, que aponta a participação das pequenas e microempresas “como elemento de caráter estratégico na caracterização da estrutura das atividades audiovisuais, a merecer atenção na composição das metas”.

O somatório destes terá como resultado a concentração dos recursos para poucas empresas e a impossibilidade de renovação da cadeia produtiva, ou seja, uma oposição ao que é difundido como objetivo decorrente das novas diretrizes para o audiovisual. Por esses motivos, é fundamental que essas questões sejam revistas nas resoluções e chamadas já publicadas e consideradas de forma a promover o desenvolvimento integral da cadeia e reforçar a função de uma agência reguladora e do Estado como entes de regulação do mercado.

Ressaltamos por fim que é de suma importância a permanência do indutor regional em todas as linhas de ação e o cumprimento das cotas estabelecidas, pois sem eles não se promove diversidade econômica e simbólica no segmento.

Abaixo assinamos,

Associação Filmes de Quintal (MG) 
Cinemateca Catarinense /ABD (SC) 
Fórum Setorial Permanente do Audiovisual de Florianópolis (SC)

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Manifestações críticas ao FSA 2.1 no Jornal O Globo

13/03/2018 – Produtores de cinema pedem transparência em novo pacote de editais

RIO — Produtores independentes brasileiros receberam com cautela o lançamento de seis editais voltados para cinema e TV, no valor de R$ 471 milhões. As linhas de fomento foram anunciadas ontem, pelo Ministério da Cultura e a Ancine, como parte do Programa Audiovisual Gera Futuro, que pretende destinar cerca de R$ 1,2 bilhão para o setor audiovisual em 2018. A expectativa, segundo o ministro Sérgio Sá Leitão, é a de que até o fim do mês os editais estejam disponíveis para consulta, nos sites do MinC e da agência.

As principais preocupações dos profissionais giram em torno da linha de fomento de modalidade automática que vai destinar R$ 150 milhões para a produção de filmes. Nela, serão contemplados projetos de empresas “aprovadas por desempenho prévio, tanto comercial quanto artístico”, segundo o ministro. Ou seja, será analisado se a produtora tem um histórico de obras bem-sucedidas, o que, em tese, pode privilegiar empresas grandes.

— Tenho feito filmes com potencial para circular em festivais mundo afora, como “Benzinho”, selecionado em Sundance. Mas minha produtora não é grande. Ela poderá ser contemplada pela linha automática ou ficará de fora? A partir de que ponto eu serei uma produtora com um bom “desempenho prévio”? Quais são os critérios? Isso não foi esclarecido — questiona a produtora Tatiana Leite.

A linha automática, que tem a vantagem de desburocratizar o processo de seleção, não é uma modalidade de investimento nova. Mas, até então, apenas 20% da verba de fomento eram destinados a este tipo de linha, contra 80% para as do tipo seletivo, nas quais os projetos inscritos são aprovados por pareceristas e comissões. O que muda é que, a partir de agora, cada tipo receberá 50%.

A Ancine informou que só vai detalhar os critérios de seleção na sexta.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/produtores-de-cinema-pedem-transparencia-em-novo-pacote-de-editais-22481794

26/03/2018 – Profissionais do audiovisual criticam novas regras dos editais da Ancine

RIO – Cineastas, produtores e roteiristas brasileiros estão em pé de guerra com a Agência Nacional de Cinema (Ancine) e o Ministério da Cultura. Eles afirmam que as novas regras de editais voltados ao audiovisual priorizam produtoras e projetos mais comerciais, em detrimento de obras autorais e de artistas estreantes. Haveria, assim, concentração de investimento em determinadas obras.

Entre os grupos que se manifestaram contra as novas regras, estão a Associação Brasileira de Cineastas (Abraci), a Associação Paulista de Cineastas (Apaci) e a Associação Brasileira de Autores Roteiristas (Abra). Além disso, quase mil profissionais do audiovisual participam de um abaixo-assinado demonstrando descontentamento. Entre os signatários, estão Sonia Braga, Fernando Coimbra, Hilton Lacerda, Luiz Bolognesi, Fellipe Barbosa, Maeve Jinkings, Camila Márdila, Jesuita Barbosa, Fabio Assunção e Marcelo Gomes.

A origem da briga está no anúncio, este mês, de seis editais de fomento ao setor audiovisual, no valor de R$ 471 milhões. Uma das modalidades de fomento é a seletiva, na qual projetos inscritos são analisados pelos pareceristas da Ancine e pelas comissões, que aprovam os que receberão os incentivos.

Essa modalidade é considerada uma porta de entrada para cineastas iniciantes e chamados autorais, uma vez que, em tese, avalia o mérito artístico do projeto, e não o currículo da produtora — se ela tem filmes com boa bilheteria, por exemplo. Mas, segundo os profissionais, não é mais bem assim.

Na nova classificação, o valor artístico do projeto diminuiu de peso 65% para 40%, enquanto o valor da produtora e da direção somados aumentou de 35% para 55%. Isso significa que produtoras e diretores com histórico mais consolidado e bem-sucedido terão mais chance de serem contemplados nos editais, independentemente do valor artístico de suas obras.

“Os currículos de empresas produtoras e desempenho comercial não podem ter peso tão decisivo, em detrimento da criatividade e conteúdo do projeto”, afirma a nota enviada à Ancine e ao MinC pela presidência da Abraci e da Apaci. “Nesse contexto, é preciso recisar o critério de avaliação do processo seletivo e dar maior importância ao projeto/roteiro nas duas linhas, mas em maior grau na linha B (avaliação de mérito dos projetos de perfil autoral e propósitos artísticos), tornando mais competitivos os projetos embrionários e de produtoras menores.”

Em nota, o diretor presidente da Ancine, Christian de Castro, afirmou que as mudanças são resultado de um “amplo debate iniciado desde o ano passado no âmbito do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (CGFSA), órgão colegiado onde a sociedade civil está representada ocupando metade das cadeiras.”

Castro diz ainda que o novo modelo proposto tem como meta reduzir o prazo de análise dos projetos e contratação pela metade, passando de 18 para nove meses.

Leia abaixo a nota completa da Ancine:

Entendemos e compartilhamos a preocupação com o amplo acesso aos recursos públicos destinados ao fomento do audiovisual brasileiro. As mudanças divulgadas agora são resultado de um amplo debate iniciado desde o ano passado no âmbito do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (CGFSA), órgão colegiado onde a sociedade civil está representada ocupando metade das cadeiras.

Ou seja, a despeito das alegações das entidades de classe de que o mercado precisa ser ouvido na formulação das políticas do audiovisual a nível dos editais administrados pela ANCINE, é bom lembrar e frisar que metade das cadeiras do Comitê Gestor é ocupada por representantes do mercado, o mesmo que agora alega falta de representatividade. Num cenário ideal, as decisões de CGFSA deveriam servir de escrutínio de todo o mercado, mas todos sabemos que esta solução é impossível.

O Fundo Setorial do Audiovisual trabalha com diversas linhas de ação voltadas para o desenvolvimento e produção de obras audiovisuais em suas mais diversas características, abrangendo todos os níveis de produtoras, de todas as regiões do país. Deste mesmo programa de investimentos, que utiliza recursos do FSA, faz parte o conjunto de 11 editais operados pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura – SAv/MinC voltados para a ampliação da participação no mercado de novos talentos e de realizadores negros, mulheres e indígenas e o estímulo à descentralização do setor audiovisual.

Até 2017, o FSA havia selecionado mais de 330 produtoras de diferentes níveis no conjunto de linhas de TV e mais de 250 nas linhas de Cinema. Do conjunto de produtoras selecionadas, são consideradas iniciantes (níveis 1 e 2), 81% nas linhas de TV e 52% nas linhas de cinema.

De toda forma, permanecemos em constante avaliação das linhas de ação, de forma que contribuições ao debate são sempre bem vindas. O novo modelo proposto tem como meta reduzir o prazo de análise e contratação pela metade, passando de 18 para apenas 9 meses. Neste formato será possível acompanhar os editais de maneira mais objetiva, identificando as possíveis distorções e podendo ajusta-las com mais agilidade nas próximas edições das Chamadas Públicas.

Certos da compreensão, continuemos com nossa linha de comunicação sempre aberta com relação a todos os assuntos do audiovisual brasileiro.

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/profissionais-do-audiovisual-criticam-novas-regras-dos-editais-da-ancine-22527363